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Os diferentes hábitos de consumo local



Estamos testemunhando um momento marcante de mudanças de hábitos, padrões e definições, que certamente devem ser sentidas ainda durante muitos anos. Não restam mais dúvidas de que a pandemia do coronavírus mudou completamente a maneira de consumir em todo o mundo. Duas questões são muito debatidas: o aumento do consumo on-line e a comodidade e a segurança oferecidas pelos comércios locais por questões de proximidade. O receio de aglomerações e essa comodidade deram impulso a negócios próximos das residências. E isso deve servir como estímulo para estratégias de crescimento nas vendas.

Mas é ainda inquestionável o aumento do comércio nos canais digitais. Talvez a mudança mais significativa tenha sido justamente o aumento de pessoas que começaram a usar mais essas plataformas para as compras via internet pela primeira vez. Isso não é risco para o comércio local. Muito pelo contrário. Apenas exige uma postura muito mais maleável e adaptável para essas empresas.

A gerente da Unidade de Indústria, Comércio e Serviços do Sebrae Minas, Márcia Valéria Cota Machado, pontua que os médios e os pequenos empreendedores devem aderir à tecnologia para não passarem por dificuldades, e que é fundamental se adaptarem ao uso do delivery, por exemplo. Rose Del Col, presidente da American Express Brasil, completa dizendo que os pequenos comércios terão um grande papel no impulsionamento do varejo e serão peça fundamental da economia. Ela ressalta também uma nova realidade, principalmente com a chegada do Pix: “Veremos mais pessoas usando os cartões e outros formatos de pagamento que não envolvem troca de cédulas ou moedas”.

Uma pesquisa denominada Shop Small, realizada no ano passado pela mesma American Express, apontou que os brasileiros acreditam na importância dos pequenos comércios e que o crescimento deles é bom para a comunidade. A praticidade e a segurança foram os principais fatores citados para continuarem comprando localmente. No entanto, dois fatores pesam para os lojistas não tão bem preparados: falta de um atendimento de qualidade e o fato de haver opções limitadas. “Esses podem ser motivos que fazem com que muitos optem por grandes galerias ou shoppings. Eu sempre motivo minha família e meus amigos a consumir por aqui, mas é preciso que haja mais qualidade no atendimento e preços justos”, opina o administrador público Márcio Coimbra.


BENEFÍCIOS

A pesquisa ainda revelou que cada vez mais os consumidores farão pequenas compras semanais e mensais, dando preferência por sair menos vezes e comprar o que precisam de uma só vez. Enquanto 20% dos entrevistados tinham o hábito de ir uma vez por semana às lojas locais, o número subiu para 30% durante a pandemia. E 33% acreditam que os hábitos de compra não serão os mesmos depois que ela passar. Uma característica importante, vista em outras pesquisas, é a retomada do hábito dos consumidores de buscarem melhores ofertas.

Prova disso é a representante comercial e empresária Paula Lotti. Para ela, os comércios de bairro “têm tudo de que a gente precisa sem ter de enfrentar trânsito, sem perder tempo e pagar estacionamento. Se pesquisarmos a fundo, encontramos preços mais baixos do que em shoppings e centros comerciais. Sem falar na valorização em prestigiar as lojas locais. Para atrair, acho que, além das promoções, a excelência no atendimento faz a gente ter vontade de voltar. Super apoio o comércio de bairro”.

Morador da região desde 2010, Rodrigo Castelo é um entusiasta do que chama de “comércio de vizinhança” e procura comprar sempre nas lojas do Jaraguá, Dona Clara e proximidades. “Os bairros daqui são muito bem servidos, tanto de varejo como de serviços. Se há alguma desvantagem no preço, esse custo compensa a economia com combustível e estacionamento e, o melhor, vale muito a pena ser atendido por gente próxima, que conhece os clientes pelo nome e sabe até de suas preferências de compra. Comprar no comércio de bairro é um exercício de relacionamento e de observação sobre a evolução do local. Além disso, não tenho muita paciência para shopping center, prefiro as ruas do bairro com seus corredores ao ar livre”, relata.


MUDANÇAS DE HÁBITOS

Durante a pandemia, Priscilla Hameze, supervisora pedagógica, começou a comprar com mais frequência em lojas on-line, diante das restrições da Covid-19. Para ela, a qualidade no atendimento é um dos fatores que mais a atrai para comprar determinado produto. “As lojas devem apostar em mais variedades, bem como um atendimento qualificado e que saiba esclarecer quaisquer dúvidas que eventualmente o consumidor venha a ter. É isso que me faria comprar em uma loja física em vez da Internet”, defende.

A pandemia também impactou a rotina de consumo da advogada Denise Alves, e sua maneira de consumir mudou drasticamente, tornando-se mais voltada para proteção, higiene e conforto. Outra questão relevante para ela é o ambiente em que será realizada a compra. “Um ambiente agradável é fator determinante para a minha compra, assim como qualidade e custo-benefício. Outra preocupação se direciona aos impactos que aquela produção têm no meio ambiente”, observa.

Marcia Muniz, psicóloga clínica, também precisou se adaptar com o novo cenário pandêmico, mas acredita já estar retomando os hábitos antigos. “Receber meus produtos por meio de motoboys ou compras pela internet geravam ansiedade e insatisfação muitas vezes. Foram tempos difíceis, mas agora os espaços físicos estão fazendo parte novamente e meus hábitos retornando ao que eram”, afirma. Para ela, a conexão e a interação com o vendedor, assim como com o produto oferecido, também são fatores relevantes no momento da compra.

Apesar das diferentes maneiras e preferências de compras, o consumo é uma atividade inerente à rotina de todos. Por isso, essa prática faz tanta diferença ao comércio e para a economia da nossa região. Para um trabalho pelo menos próximo da excelência, os comércios precisam entender os hábitos e as necessidades dos consumidores e se atualizarem de acordo com as demandas do momento, sem nunca deixarem de prestar um serviço de qualidade, com preços competitivos, valorizando e respeitando o cliente. (Fabily Rodrigues, com colaboração de Nathália Farnetti)


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